sábado, 18 de março de 2017

UM MOTIVO MUITO SÉRIO NOS LEVOU A JF NESSE FIM DE SEMANA

Mirian e eu partimos sexta cedo. À noite estávamos no centro daquela cidade. Uma paradinha na Rua São João para o primeiro registro.
O Calçadão da Rua Halfed estava fervendo de gente.
Uma longa fila aqui.
Estava indo em direção ao Cine Theatro Central.Sobre ele, a gente resume no wikipedia que: 
Cine-Theatro Central tem capacidade para 1,881 espectadores. O projeto, do arquiteto Raphal Arcuri, uma das primeiras influências aqui do art déco,  e a decoração interna e da autoria de Angelo Biggi
As obras duraram um ano e quatro meses, e a inauguração finalmente ocorreu em 1929.
O prédio foi tombado pelo IPHAN em 1994, quando passou a ser administrado pela Universidade Federal de JF.
E por falar em art déco, há outras amostras desse estilo por aqui.



Voltando ao Central, nós e o sobrinho Mateus estamos dentro dessa. 
Olha o que nos trouxe a juiz de Fora. Três feras juntas num mesmo show. Isso é imperdível. Depois de um fim de semana com Ouro de Minas em Muriaé, vou fechar aqui um porre de MPB em uma semana.
Uma maravilha tudo aqui.
E nós lá dentro, só aguardando o início.
Vá dando uma curtida nesse monumento.

Os ingressos acabaram em pouco tempo. A UNIMED JF patrocinou, para que os preços fossem melhores. 

As fotos foram tiradas sutilmente, das próprias cadeiras e com celular. Não era permitido fotografar com câmeras e flashs.
A iluminação foi perfeita e o show começa com MPB-4. Esse grupo foi a paixão de uma geração. Quando Magro, um dos integrantes, morreu, estivemos na cremação de seu corpo,lá em SP. 

Todas as músicas falavam aos nossos corações.
Cálice:
  Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa.

Amigo é pra essas coisas

A Lua
Iolanda
Esta canção
É mais que uma canção
Quem dera fosse uma declaração de amor
Romântica
Sem procurar a justa forma
Do que me vem de forma assim tão caudalosa
Te amo, te amo
Eternamente te amo

Roda Viva, com direito  a uma coreografia de rodas,  através das luzes ao fundo.

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Depois entra Toquinho no palco e canta algumas canções com o MPB-4. Eu não fiquei anotando tudo. Se eu ficasse preocupado com você iria perder o meu show.
Também contam várias histórias envolvendo-os no dia a dia, também com Vinicius de Morais e Tom Jobim.
Dentre muitas músicas cantadas, destaco:
Regra três 
Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais

Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar
Lá fora está chovendo
E outras, além de uma sequência de músicas que tanto sucesso ainda faz entre as crianças como: 
O Pato
Caderno
Aquarela
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo.
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva,
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva
E depois entra em cena Ivan Lins, um fenômeno da MPB. Até recentemente ele era o cantor brasileiro mais gravado no exterior,só perdendo para Tom Jobim. Não sei se ainda detêm essa marca.
Dentre as muitas coisas boas cantadas como 
Aqui é o Meu País
Depende de Nós
Depende de nós
Se esse mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá
Por uma infeliz coincidência, no dia do show, 17 de março, Elis Regina completaria 72 anos se viva estivesse. Em sua homenagem:
Madalena
Oh Madalena, o meu peito percebeu,
que o mar é uma gota,
comparado ao pranto meu.

Fique certa, quando o nosso amor desperta
logo o sol se desespera
e se esconde lá na serra

Ei Madalena! O que é meu não se divide
Nem tampouco se admite
Quem do nosso amor duvide

Ivan Lins fez uma sequência de músicas tratando do relacionamento, passando pelo período de relação pouco amistosa entre o casal, que ele chama de época dos arremessos de tudo. De livros, de abajur, de discos. Aí vem:
Me deixa em Paz
Me deixa em paz
Que eu já não aguento mais
Me deixa em paz
Sai de mim
Me deixa em paz

Vai...
Hoje o fogo se apagou
Nosso jogo terminou
Vai pra onde Deus quiser
Já é hora de você partir
Não adianta mais ficar
Bilhete
Quebrei o teu prato
Tranquei o meu quarto
Bebi teu licor
Já arrumei a sala
Já fiz tua mala
Pus no corredor
Eu limpei minha vida
Te tirei do meu corpo
Te tirei das entranhas
Fiz um tipo de aborto
E por fim nosso caso acabou
Está morto
Jogue a copia da chave
Por debaixo da porta
Que é pra não ter motivos
De pensar numa volta
Fique junto dos seus
Boa sorte, adeus!
Saindo de Mim
Você foi saindo de mim
Devagar e pra sempre
De uma forma sincera
Definitivamente

Você foi saindo de mim

Por todos os meus poros
E ainda está saindo
Nas vezes em que choro

Começar de Novo
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Ter me rebelado
Ter me debatido
Ter me machucado
Ter sobrevivido
Ter virado a mesa
Ter me conhecido
Ter virado o barco
Ter me socorrido
Começar de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido



Mas isso pode ser revertido num relacionamento, numa nova fase de amor. Ivan canta

Lembra de Mim
Lembra de mim 
Dos beijos que escrevi nos muros a giz 
Os mais bonitos continuam por lá 
Documentando que alguém foi feliz 

Lembra de mim 
Nós dois nas ruas provocando os casais 
Amando mais do que o amor é capaz 
Perto daqui há tempos atrás 

Lembra de mim 
A gente sempre se casava ao luar 
Depois jogava nossos corpos no mar 
Tão naufragados e exaustos de amar

O clima foi esquentando quando se aproximava o fim do show. Aí todos voltaram para o palco e a plateia foi ao delírio.

Quem Te viu Quem Te Vê
Hoje o samba saiu lá lalaiá, procurando você

Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer

E mais dois "bis' para atender ao público.
Na saída as primas Dulci e Dinea Paradela. A primeira, psicóloga e bancária aposentada e a segunda ainda na ativa, como gerente da Caixa em JF.

Tá vendo que a gente não poderia ter perdido esse evento? Muita emoção estar junto de quase duas mil viúvas e viúvos da boa música, como classificou o público presente, já que poucas emissoras de rádios abertas  e nenhuma de TV apresenta esse tipo de repertório.
Já passava de meia noite quando o show acabou. Foram 2 horas e 40 minutos de espetáculo. Haja coração!

2 comentários:

  1. Que motivo maravilhoso, primos! Juiz de Fora exala cultura. Feliz por vocês.

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  2. Adoro o Teatro Central. Quando vou a JF chego lá primeiro para ver a programação. Tem sempre alguma coisa ótima, banquete para o espírito. Sempre entro assim que abrem o teatro para ficar curtindo o estilo. No teto, em primeira linha perto do palco, à minha direita o nosso compositor Carlos Gomes (sua ópera "O Guarani¨ é o Nascer do Brasil, linda!). À esquerda, no teto, do Teatro Central, quem? Nada menos que o maior compositor e diretor de óperas de todos os tempos: Verdi, o italiano, Giuseppe Verdi. Várias outras pinturas magistrais ali.
    Bom, e por quê nunca conheci esse GATO, o sobrinho Mateus? Dulci e Dinéa: um abraço !

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