domingo, 19 de março de 2017

FALEI DO LADO DO CORONEL. AGORA DO LADO DO SEBASTIÃO

No sábado, depois do porre na sexta de música boa no Cine Theatro Central, em JF, fomos visitar duas tias de Mírian, e minhas primas, pessoas muito queridas. 
Estamos na casa de Áurea Martins e, de óculos, sua irmã Selma, ou Selminha como os mais antigos de Belisário a tratavam.
Acabamos de voltar do restaurante, onde almoçamos, mas uma incompatibilidade entre a minha câmera e meu PC fizeram as fotos sumir. Por sorte Mírian tinha tirado essas em seu smartphone.
Estamos mostrando a elas a matéria sobre o Coronel Chico Gomes.
Ambas são filhas de José Gonçalves Primo, avô materno de Mirian, e moraram aqui nesse terreno onde hoje moram Francisco e Ana. José aqui vivia da roça, produção de leite, rapadura e açúcar mascavo, foi seleiro, amansador de burros, etc.  Ele veio a se casar com Ester de Souza Lima, irmã de minha mãe Cléa. Como vocês sabem, Mirian e eu somos primos.
O primo Joelson, de SP, filho de Áurea montou essa árvore genealógica. A minha ascendência está à esquerda da foto.

Em conversa ontem com a neta Selma e Silas Gonçalves Martins, hoje por telefone, já que ele mora em Faria Lemos,  pude tirar algumas informações.
Confirmando o que D. Nina sempre diz e vai constar de seu livro contando a história de Belisário, Sebastião tinha grandes habilidades no trabalho com madeira. Aqui ele teria feito o planejamento urbano do lugar, ainda nem era distrito. Ele também fabricava cangas de madeira, para serem colocadas nos lombos dos bois de carro. Silas lembra que o seu tio João era especialista em trabalhar com novelo da lã, para dele fazer rédeas e barrigueiras de cavalos.
Os móveis de sua casa foram feitos por ele. Silas fala de suas lembranças do avô chegando com feixes de taboa, que após trançadas serviriam para confecção de cadeiras.
Mas as habilidades de Sebastião Gonçalves também estavam na farmacologia rude da época. Também o seu irmão Isidoro tinha muito conhecimento nessa área. Selma se lembra de ver o seu avô pegar papel tosco para prescrever remédios a serem preparados pelo farmacêutico Mário Filgueiras. Quando nascia uma criança em sua casa Selma logo era mandada para pedir a preparação de algo para D. Ana, esposa de Sebastião. D. Nina sempre lembra que muitas crianças de Belisário vieram ao mundo através das mãos da parteira Ana.
Das filhas de Sebastião foram professoras: Bartira, na escola local,  na época de D. Maria Amélia Meireles Calais.  Seu filho Flávio Calais lembra que foi Bartira quem o alfabetizou, mas também não se esquece que ela bateu três vezes nele. E se reclamasse em casa, apanhava de novo. A outra filha do casal Sebastião e Ana, de nome Marieta,  foi professora na Fazenda da Floresta, do Cel. Chico Gomes.
Silas lembrou que do avô saindo de terno branco para ser mesário nas eleições, e que ele tem um título do meu outro avô Altivo, mãe de minha mãe, que também morou aqui em Belisário, onde consta a assinatura do Sebastião Martins, como mesário. É incrível como as minhas raízes e as de Mirian estão muito ligadas a Beli.
Outra curiosidade que Silas lembra diz respeito à sua avó Ana. Ela ia para o terreiro com comida numa panela velha na mão, chamando pelo seu gordo porco: “Pedro Aleixo!”, “Pedro Aleixo!”. Lembrando que este foi um político mineiro, de Mariana, que presidiu a Câmara em 1937, apoiado por Getúlio Vargas.
Silas lembra, ainda, que a casa de seu avô Sebastião era muito movimentada e funcionava como uma pensão para os que podiam pagar e também para outros que vinham da zona rural e Muriaé, mesmo sem pagamento. Era um ponto de apoio para pastores e irmãos da Igreja Metodista, a qual ele pertencia. 

Se você tem história de sua família, aqui em Belisário, mande para mim que terei muito prazer em publicar.

Um comentário:

  1. É isso ai. A gravidez e o parto eram coisa muito recatada. Nos escritos de minha mãe, está que quando chegava visita com homem no meio, uma mulher grávida não vinha à sala. Durante o trabalho de parto, o marido ficava com amigos do lado de fora da cas, tomando cachaça queimada. Quando ouviam o choro da criança era uma alegria. Junto da parteira, havia as ajudantes que acudiam a mãe também. Muitas mulheres sofriam dores o dia inteiro, enquanto havia a dilatação
    necessária para o nenê nascer. A mulher fazia resguardo de 40 dias, todos os dias tomando sopa de galinha gorda para ter bom leite. Todo mundo gostava de tomar das sobras da sopa, com farinha de milho. Há muita coisa a publicar sobre nossa História, Cléber. Com certeza, você vai receber casos e "causos" que explicam nossa existência. Todo mundo deveria fazer sua árvore genealógica. Uma vez fizemos em papel grande um modelo vazio e algumas pessoas dai preencheram.
    Está ai no escritorinho do GAB.









































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