sábado, 7 de janeiro de 2017

PRESENÇA MACIÇA DA COMUNIDADE PARA OUVIR O NOVO PREFEITO

A reunião foi marcada para as 19 horas dessa sexta. Ela foi convocada pelo Vereador Lelei e pelo Secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Manoel Carvalho. Propositalmente não falamos da presença do prefeito Grego, pois havia alguma incerteza quanto a isso. Afinal, está na sua primeira semana de mandato. Mas ele veio.
O povo começou a se juntar na porta do GAB.
Agora já tomando assento no salão.
Dr. Edson Cury e Áurea, ambos da EMATER, também presentes. Se o assunto é agricultura, então é com eles mesmo. Dão muito apoio aos  produtores de toda a região de Belisário.
A OSCIPE IRACAMBI também presente.
Zé Maria Muniz veio de SP passar uns dias conosco. Logo ele estará aqui em definitivo. O bom filho à casa torna, a gente sempre repete.
Salão lotado. Vai encher ainda mais, mas sem o meu registro. No final havia muita gente de pé lá no fundo.
O Secretário Manoel Carvalho compõe a Mesa, apresentando os   técnicos de sua  Secretaria,. O prefeito Grego no centro. Também Edson Cury e o Frei Gilberto, na extremidade. Na outra extremidade, o representante da Agricultura de Rosário da Limeira.
Destacamos na palavra do Secretário
  • A Secretaria começará a cadastrar os produtores rurais para se tornarem aptos a receber assessoria dos técnicos.
  • A Secretaria conseguiu um caminhão de beneficiamento de café, que percorrerá a região. Quando da colheita os interessados poderão se cadastrar. Possivelmente também atenderá Rosário da Limeira.
  • Ele pretende colocar em prática seu projeto de construção de barraginhas em algumas propriedades, com o objetivo de fazer a contenção da água no terreno, evitando-se erosões.
  • Comunica que há grande disponibilidade de cursos a serem oferecidos pelo SENAR. Basta que se procure o Sindicato dos Produtores.
  • Comunica que 18 produtores da região de Muriaé passarão a receber pela produção de água em suas propriedades. Tais produtores já estão selecionados e começam a receber já em fevereiro. 
  • O Programa Cesta Cheia continuará normalmente. Desafia mais produtores de Belisário a se tornarem fornecedores de verduras e legumes.
  • Está atento à necessidade de manutenção das estradas. Isso será feito pela sua Secretaria, sob a liderança de Lelei. Está com dificuldades pois muitos equipamentos foram entregues avariados e há dificuldade em se obter saibro pois estes só podem ser retirados de minas autorizadas.
Manoel carvalho comunica para breve o primeiro Dia de Campo, que será realizado no Sítio de Faustino/Lourdinha (foto), possuidores de uma propriedade exemplo, em termos de autossustentabilidade.
Em seu pronunciamento, o novo prefeito, foi muito direto em tudo o que falou. Na verdade ele não fala grego. Vamos lá:
  • Destacou que buscou competência na hora de montar a sua equipe. 
  • Lembrou seu carinho por Belisário e que aqui sempre esteve, inclusive nas Cavalgadas. Sobre isso apontou um problema que vê nesse evento e este ano vai corrigir. Não permitirá badernas nas ruas, principalmente aquelas provocadas por motoqueiros, dirigindo de forma ofensiva e muitas vezes sem capacete. Vai cobrar a presença maciça da Polícia aqui na festa para impedir isso.
  • Já determinou à FUNDARTE que dê apoio ao carnaval familiar do nosso Distrito.
  • Reclamou da pequena verba que Muriaé receberá a título de ICMS Ecológico, comparando-se com outras cidades. Está trabalhando para reverter isso.
  • Comunica a aquisição de um caminhão frigorífico para o transporte de mercadorias da Cesta Cheia e do Programa de Agricultura familiar.
  • Informou que Muriaé está se desligando do Consórcio Rio Muriaé, por considerar este lesivo aos cofres do município. Informou que a Prefeitura e o DEMSUR contribuem mensalmente com 24 mil reais e 8 empresas privadas com apenes 300 reais cada e que tal consórcio nenhum benefício traz para a cidade. Dispõe a debater o tema com qualquer um que pense diferentemente disso.
  • Informa que a prefeitura recebeu, no apagar das luzes, cerca de 2 milhões de reais, oriundos da lei federal de repatriação de dinheiro que estava irregularmente depositado no exterior. Há expectativa de outra remessa no final desse semestre. A melhor notícia da reunião: o prefeito informa que quer aplicar esse dinheiro na pavimentação da estrada Itamuri-Belisário, "um sonho desde que Cabral chegou no Brasil", declarou ele. Haverá uma ampla discussão quanto o tipo de piso a ser adotado. Não precisa falar que nessa hora foi muito ovacionado.
  • Sobre a mineração, Grego falou que não tomará nenhuma decisão que contrarie a população. Fará um plebiscito para ouvir a opinião da maioria. Destacou que aqueles que votam em outros municípios, como Rosário da Limeira, devem acertar a situação, trazendo seus títulos de volta para Muriaé. Não poderão participar desse plebiscito se não se transferirem.
  • O prefeito reclamou das péssimas condições com que recebeu o maquinário da prefeitura. Caminhões, outros veículos, tratores etc. Levará algum tempo para licitar e fazer os devidos reparos.

A reunião prosseguiu sem a presença do prefeito, que tinha outro compromisso em Muriaé.
Manoel Carvalho fraqueou a palavra. Em nome da diretoria do GAB falamos da satisfação em vermos a comunidade presente na Associação, lembrando que esse patrimônio foi construído por D. Nina Campos para ser doado para ser sede da prefeitura, após a emancipação, que não veio. Mas  a diretoria quer ter a presença mais forte da prefeitura no imóvel, através de um instrumento jurídico elaborado entre as partes.  
Robin, pela IRACAMBI, questionou a Secretaria quando à linha que pretende adotar para combater as mudanças climáticas, que tantos malefícios trará à população do planeta. Também pediu uma posição firme da prefeitura contra a entrada da mineradora na nossa região. 
Em relação a isso muitas manifestações outras aconteceram, contrárias à entrada dessa atividade por aqui. 
Zé Maria Muniz lembrou a importância de se preservar  a biodiversidade, com a criação de um horto para manter espécies de plantas da Mata Atlântica que estão sendo extintas.
Edson Cury sugeriu que, quando da pavimentação da estrada, que as águas coletadas pelas canaletas sejam direcionadas de forma que permaneçam nos terrenos próximos e que não sejam jogadas diretamente nos córregos.
No mesmo tom de muitos dos presentes, Frei Gilberto reforçou que a Secretaria deve se voltar para o apoio da Agricultura Familiar e do Turismo, e contra atividades mineradoras.
Manoel Carvalho agradeceu a presença de todos e comunicou que irá  subir amanhã cedinho o Pico do Itajuru.
Lelei encerrou a reunião também agradecendo a expressiva presença de todos.

5 comentários:

  1. Em rápidas palavras quero reforçar:
    1- A preocupação do secretário Manoel Carvalho com a preservação das águas naturais. Muito oportuna foi a sugestão do Dr. Edson Cury.
    2- A sugestão do Eng. José Maria Muniz para a criação de horto florestal para preservação das espécies da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado do país. Esse horto será mais uma atração turística.
    3- As posições de Iracambi, Frei Gilberto e tantos outros: mineração NUNCA, JAMAIS EM TEMPO NENHUM.

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  2. Li com muita atenção, Cléber, seu excelente relato da reunião. Estou torcendo para que o nosso povo saiba e possa colaborar com as ações públicas já começadas a se delinear e não fique só no esperar pra ver. Já o bom número de participantes nessa reunião indica que o povo está atento e disposto a seguir junto com as ações do governo. Quanto a mineradoras, precisamos estudar bem o assunto para fazer bons contratos, tanto que ajudem ao país como aos proprietários das terras.
    Não podemos ter metais sem minerar. O Brasil é rico em minérios e o exporta. Dai sempre veio boa parte de nossa receita. Depois, importamos grande parte de ferramentas e máquinas porque é pobre em indústrias de ponta. Precisamos instalar muito mais indústrias para as necessidades do povo como para exportar também. Não podemos ser só a favor ou contra, sem os estudos técnicos, empresariais e administrativos especializados, livres de paixões, opiniões aleatórias
    e infundadas. É lógico, que toda obra tem seu verso e reverso. Um dia todo vamos morrer. Mas, por isso vamos deixar de nascer ?

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  3. Percebo como bastante positiva esta reunião no GAB. Pelo menos na postura, já é possível observar mudanças significativas na atual Administração Pública Municipal. Fiquei feliz em saber que produtores rurais de Muriaé vão receber, já a partir de fevereiro, Pagamento de Serviços Ambientais (PSA). Tomara que algum produtor de Belisário, importantíssima bacia hidrográfica, receba também. Venho batendo nesta tecla há cinco anos. A pavimentação da estrada Itamuri-Belisário é a realização de um sonho. A decisão de SAIR do Consórcio do Rio Muriaé é elogiosa. Aliás, a atual gestão pública deveria apurar ONDE foram gastos os recursos públicos alocados nesta 'instituição' e pedir eventuais ressarcimentos. Vejo com MUITA PREOCUPAÇÃO a proposta de se fazer um plebiscito para decidir sobre a MINERAÇÃO NA ÁREA DE AMORTECIMENTO DO PARQUE DO BRIGADEIRO. A maioria da população DESCONHECE, apesar das evidências, a relação entre DESENVOLVIMENTO E IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS da mineração e acaba sempre caindo no conto do vigário das mineradoras. Mas realmente não cabe unicamente ao prefeito decidir sobre isto e ele não pode simplesmente lavar as mãos. Torço para Belisário encontrar o seu modelo de desenvolvimento LONGE DA MINERAÇÃO. Quem sabe remunerando os produtores rurais pela preservação, conservação, recuperação de nascentes e PRODUÇÃO DE ÁGUA. O atual prefeito já foi apresentado ao MODELO do município de Extrema (MG), de onde foi copiada a Lei de Pagamento de Serviços Ambientais de Muriaé. Aplaudo a decisão de construir barraginhas, mas JUNTO com outras medidas, para reter a água das chuvas nas propriedades rurais. Por último, sugiro ao prefeito a adoção de mecanismos de TRANSPARÊNCIA NOS GASTOS PÚBLICOS. Também, em total desrespeito ao Estatuto das Cidades, o Plano Diretor Participativo de Muriaé encontra-se VENCIDO. Sem o respeito e as metas do Plano Diretor, como podemos chegar em algum lugar? Renato Sigiliano

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  4. No que me diz respeito, as minhas opiniões não são aleatórias nem infundadas. Durante uns 10 anos fiz parte do GEAMAM - Grupo de Estudos e Assessorameto Ambiental da Cia. Vale do Rio Doce ( hoje, Vale). No mesmo período fui coordenador da CIMA - Comissão Interna de Meio Ambiente) do Depto Florestal da empresa. Durante uns 5 ou 6 anos, como representante da FIEMG, participei do COPAM - Comissão Estadual de Política Ambiental, órgão que analisa e (eventualmente) concede licenças ambientais para quaisquer empreendimentos em Minas Gerais. Durante a elaboração do Novo Código Florestal, estive na Câmara Federal em defesa da silvicultura com atividade de baixo impacto ambiental. Defendi também a manutenção do uso consolidado de áreas já antropizadas e a preservação permanente de áreas acidentadas. Sinto-me, portanto, em condições de emitir opiniões fundamentadas sobre assuntos que envolvem meio ambiente. Por interesse pessoal, sou permanente estudioso das causas ambientais. E a propósito, aproveito para afirmar que atribuir o aquecimento global a causas antropogênicas é o maior "conto do vigário" do nosso tempo. E acho também que as autoridades e órgãos constituídos (MMA, CONAMA, IBAMA, SEMAD, SISEMA, IEF) não estão percebendo a gravidade da maior ameaça à vida no planeta: a escassez das águas naturais. Não vejo nenhuma providência concreta nesse sentido.

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  5. Eu vejo a conta ambiental de uma forma particular (minha). A queima de combustíveis fósseis, principalmente pelos veículos automotores, produz a maior parte dos gases responsáveis pelo "efeito estufa". A produção de veículos ainda é crescente. Isso ainda vai piorar muito o risco de efeitos catastróficos no meio ambiente. Então a raiz do problema ambiental global vem principalmente dos centros urbanos lotados de veículos.
    A Zona Rural, pelo contrário contribui positivamente para a diminuição deste risco, pois as plantas com a sua fotossíntese capturam o dióxido de carbono livre na atmosfera e revertem o processo do efeito estufa.
    A frequência de chuvas ou o índice pluviométrico de uma região está diretamente ligada à quantidade de vegetação perene. As matas em uma quantidade adequada garantem a existência das águas necessárias à manutenção das atividades agrícolas. Compare a região amazônica com a região nordestina.
    O desmatamento está acabando com o Rio São Francisco.
    Quem passou a infância em Belisário lembra-se de que a região tinha muito mais chuvas prolongadas do que tem hoje. É necessário manter uma quantidade adequada de vegetação abundante (mata fechada) intercalada com as regiões de cultivo.
    Os pastos não são suficientes para garantir a incidência de chuvas nem a biodiversidade. Quando pegam fogo apenas o capim se regenera precariamente. Pequenos animais e vegetais importantes são dizimados.
    A preservação da biodiversidade (fauna e flora) precisa estar na consciência de todos. Um Horto Florestal tem que funcionar como fonte de mudas para garantir a preservação e distribuição das espécies que irão recompor a vegetação necessária. Cada propriedade, cada sítio e fazenda precisa compor-se com a preocupação da preservação.
    Pastos precisam estar intercalados com vegetação nativa e com espécies diversas.
    Rios e represas precisam ter em suas margens uma vegetação saudável e suficiente.
    É uma questão de vida ou morte, as evidências estão em toda parte. Os municípios precisam se unir na tarefa de frear o processo de desertificação que já invadiu o estado de Minas Gerais ou não seremos mais dignos que nossa região seja chamada de "Zona Da Mata".

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