terça-feira, 20 de dezembro de 2016

CONVERSANDO FIADO NA ROÇA

Esse quintal sempre teve muita alegria, para receber filhos e netos. Esse ano vai ficar meio triste, mas nos próximos a alegria vai voltar, com certeza, afinal, Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu... Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar...
Água não falta. Uma massagem nessa cadeira deve ser algo bem interessante.
Viemos conversar fiado com o casal Landis Rosa e Luzia. O casal, ainda com o coração doido pela perda recente de um filho, está reagindo bem. A esperança cristã dá muito força
Trouxe, como companhia, o também amigo "Guina". Pra quem não conhece, ele e a esposa Marlene moram em Muriaé mas mantêm uma casa aqui em Beli e sempre vêm pra cá. Na semana do Natal, já subiram a serra. Landis lembra de Marlene bem pequenininha aqui em Bli e Luzia foi sua colega de escola, no primeiro ano primário.

Muito casos, boas lembranças do passado, da roça, dos relacionamentos de antigamente... Aqueles papos de velhos. 
Certas horas tínhamos de aumentar o volume da voz. A galinhada entrava em coro na maior cantoria. Cheguei a sugerir trancar as aves na sala, pra gente conversas sossegado no quintal.
Tudo isso por causa de alguns ovinhos que eram botados.
Se não bicar sai EMBELISARIO. Arreda aí, vai!
Guina não conhecia as habilidades de Landis.
Com um simples canivete ele faz trabalhos manuais.


Coisa de artesão mesmo.
Mas nem tudo aqui é de bom gosto.
Durante toda a visita essas pencas de bananas ficaram olhando pra mim.
E Landis também ofereceu arrancar mandioca fresquinha. 
Com muita chuva e terreno arado para o plantio, nem precisa de enxadão pra arrancar. Vem no braço mesmo.
Essa tá fisgada.
Serviço completo.
Até a terra é retirada aqui mesmo.
Conversa vai, conversa vem, mas é hora de partir. Vamos descer pra Beli. Adoro essa região.
Dr. Dárcio sempre lembra que por aqui descia a adutora que abastecia Belisário.
As pessoas insistem muito e eu, mesmo sem graça, acabo aceitando. Fazer o quê?
Mas a conversa continua, agora somente com Guina, aqui em casa. Parada pra um cafezinho.
A vida é dura mas mesmo assim:
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama

3 comentários:

  1. É bem compreensível o período de tristeza pelo qual passam o Landis e a Luzia. E, como já sabemos, esta não é a primeira vez que eles vivenciam uma perda tão sofrida.
    Felizmente temos os valores espirituais que nos confortam e amenizam nossas dores físicas e emocionais. Numa próxima ida a Belisário, quero fazer uma visita ao amigo Landis, mesmo sabendo que vou ficar com muita inveja da morada e do estilo de vida dele. E falando da natureza, sempre que vejo uma galinha num ninho rústico e "romântico", me lembro da covardia da avicultura empresarial que prende uma pobre galinha numa gaiola de 30cm x 30cm x 30cm, onde ela passa a vida botando ovo e não pode nem mudar de posição. Tudo em nome da competitividade econômica. E ainda sou obrigado a ouvir um imbecil dizer que as aves não têm sentimentos, não têm emoções. Sugeri a ele que tentasse tomar de uma galinha um pintainho recém-nascido. Garanto que ia sentir "na cara" as "emoções" de uma mãe muito zelosa.

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